Iniciativas em andamento
Prefeitura de Eldorado planta 1200 mudas para recuperar o Rio Ribeira

A prefeitura municipal de Eldorado já está desenvolvendo um projeto de recuperação da mata ciliar. Segundo Rodrigo Aguiar, diretor de Meio Ambiente do município, serão plantadas 1.270 mudas de 50 espécies, características da Mata Atlântica, nas margens do rio Ribeira de Iguape. Aguiar ressalta que o apoio da população que mora nas proximidades do projeto é fundamental. “Eles atuam como defensores da recuperação da mata ciliar, ajudando no plantio e cobrando do poder público municipal a contínua manutenção da área e o replantio das espécies que se perderam”. E o projeto já apresenta resultados. Segundo Aguiar, as mudas estão com mais de um metro de altura, bem adaptadas ao solo e clima, e muitos pássaros vêm se instalando na área do projeto, evidenciando a recuperação da biodiversidade. Mas ele também aponta obstáculos, como a criação de animais nas áreas de proteção. O problema vem sendo solucionado com o apoio do Ministério Público, que atua na manutenção do projeto intimando os proprietários de cavalos a retirarem seus animais do local.
Prefeitura de Itaóca incentiva plantio de proprietários rurais
O reflorestamento de matas ciliares em afluentes e nascentes do rio Ribeira de Iguape também é o foco da prefeitura de Itaóca. Segundo Jonas Mendes Junior, diretor do Departamento de Educação e Cultura do município, a prefeitura tem doado mudas para os proprietários das áreas desmatadas realizarem o plantio. De acordo com ele, o resultado vem sendo satisfatório, pois os proprietários assimilaram a importância do reflorestamento e estão plantando nas margens dos córregos. E o interesse vem crescendo. “Agora vamos precisar de mais mudas, pois com a iniciativa desses proprietários, outros também estão se interessando”. A base do Vidágua em Iguape já contribui com a iniciativa e doou mudas para os projetos de reflorestamento de Itaóca.
Para Mendes Junior, a necessidade de preservação das matas ciliares no Vale do Ribeira é urgente também para combater à seca que atinge alguns locais da região. “Por mais água que tenha nessa região, nos períodos de estiagem os pequenos córregos secam por falta de vegetação ao redor”. A prefeitura pretende realizar uma grande mobilização com alunos e comunidade para o plantio de aproximadamente mil mudas de espécies nativas. A área escolhida iria abrigar a lagoa de tratamento de esgoto mas, por conta das nascentes que existem no local, a obra não pode ser efetuada. “Estamos trabalhando para a recuperação das nascentes”, esclarece o diretor.
Amaves produz, planta e pesquisa as matas ciliares da região
Desde 1997 a Associação dos Mineradores de Areia do Vale do Ribeira e Baixada Santista (Amavales) desenvolve o projeto “Viva Ribeira”, que realiza projetos voltados para recomposição da mata ciliar dos rios Ribeira de Iguape e Juquiá, por meio do plantio de espécies nativas. Segundo o geólogo da associação, Pablo Fernández, as mudas plantadas provêem de viveiros instalados nos próprios portos de areia, e as sementes são coletadas nas matas remanescentes de vegetação próximas aos empreendimentos. A Amavales também desenvolve trabalhos educativos e de resgate da cidadania com comunidades do entorno.

Segundo levantamento da associação, cerca de 150 mil m2 de áreas ribeirinhas foram revegetadas o com plantio de 25 mil espécies. Para ampliar as ações e avaliar cientificamente a importância das matas ciliares para a fauna do rio, o geólogo explica que a Amavales deu início ao projeto “Rio Ribeira, uma fonte de vida e renda”, desenvolvido por pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio, no Pólo do Vale do Ribeira. A pesquisa está centrada na coleta dos peixes e posterior análise em laboratório para identificar os hábitos alimentares das espécies do rio para, então, orientar a escolha das espécies vegetais nativas das matas ciliares. “Com isto, pretende-se aumentar a oferta de alimento para a ictiofauna e sua conseqüente proliferação, resgatando a vida do rio e criando mais oportunidades de pesca, tanto esportiva como profissional”, relata o geólogo. Além disso, o aumento de peixes nos rios também acaba gerando renda para a população local. A Amavales é mais uma parceira da Campanha Cílios do Ribeira.
Barra do Chapéu capacita sitiantes
Na tentativa de recuperar a vegetação em áreas particulares,, a prefeitura de Barra do Chapéu está desenvolvendo junto aos sitiantes que moram às margens do rio Catas Altas um projeto para o replantio de mudas de árvores nativas em áreas desmatadas. Segundo o diretor de Meio Ambiente do município, Gilson Timóteo, o trabalho ainda deve ser aperfeiçoado. “Percebo que a maioria dos agricultores não sabe fazer uma cova de maneira adequada para plantar as mudas. Isso faz com que muitas mudas morram ou tenham o desenvolvimento muito lento”. Nesse sentido, a campanha vem ao encontro dos anseios de Barra do Chapéu pois também visa compartilhar informações técnicas e experiências de recuperação. Com isso, deve contribuir com projetos de reflorestamento como o desenvolvido no município. Para Timóteo, a fiscalização deve ser mais intensiva na preservação do Vale do Ribeira. “Não consigo entender como um território tão amplo e rico em biodiversidade tenha tão poucos fiscais”, lamenta.